O mundo maravilhoso do Cirque du Soleil
No meu feriado de Páscoa fiquei por São Bernardo mesmo, já que trabalharia no sábado. Como ficar por aqui é meio morto, a nossa opção mais bacana foi assistir filmes. Para começar, assistimos um filme chamado “Motoqueiros selvagens”, chumbrega, como diz o meu pai, bem marromeno. Imediatamente após o filme, resolvemos assistir a um documentário sobre o Cirque du Soleil, que o Rodrigo tinha pego emprestado com uma colega de trabalho. O documentário chama-se “Fire Within”, ou em português “Fogo Sagrado”.
São 13 capítulos que contam os bastidores da montagem e criação de um espetáculo do maior circo do mundo. Quem disse que a gente foi fino e elegante e conseguiu assistir a um DVD (são três ao todo) por dia, por exemplo? Que nada. Devoramos. Assistimos aos três DVDs de uma só vez, numa só noite, numa só tacada, tamanho foi o nosso envolvimento com o negócio.
Eu, particularmente, nunca assisti a nenhum dos dois espetáculos do Cirque que aportaram no Brasil (Alegría e Saltimbanco), para falar a verdade, apesar de ter bastante vontade, o lado financeiro nunca me possibilitou, acho um grandíssimo absurdo ter de desembolsar R$ 300,00 por um espetáculo de 2 horas e meia de duração. Pois bem, o Rodrigo assistiu há algumas semanas o Alegría e adorou, por isso pegou os DVDs emprestados.
E posso garantir a vocês: valeu a pena os cerca de 299 minutos que passei em frente à TV assistindo “Fire Within”. O documentário é baseado na preparação do número de alguns artistas para o espetáculo Varekai. O filme mostra a chegada dos artistas de vários países, Londres, Rússia, do próprio Canadá, Espanha, e Brasil, para a participação no Varekai após passarem pela seleção inicial.
Eles são ginastas, acrobatas, trapezistas, contorcionistas que vem até o Canadá darem tudo de si para encantar o diretor de Varekai, Dominic Champagne e, principalmente, o fundador do Cirque du Soleil, o todo-poderoso Guy Laliberté. A preparação, a superação dos limites do corpo, a exigência excessiva, a frustração e, principalmente, o auto-conhecimento são retratados em “Fire Within”.
Treinar, treinar e treinar para chegar à perfeição. Esse é o lema do Cirque du Soleil, isso é exigido dos artistas. Se você não atende as expectativas, pode ter certeza, corre um sério risco de ser cortado do casting. Ao mesmo tempo em que o filme mostra a montagem dos números de Varekai, há também o lado administrativo e financeiro do negócio. A assinatura dos contratos dos artistas, a aprovação do cartaz do espetáculo, a venda dos tíquetes, o marketing, a prémiere para a imprensa, os artigos de jornal, todo esse lado também é apresentado. Bacanérrimo saber como é construído um espetáculo de tamanha magnitude como os do Cirque!
Para mim, como telespectadora, o que mais emocionou foi o lado humano dos artistas mesmo, saber que tudo o que se passava na vida deles influenciava no desempenho no palco. Você já imaginou o que é estar treinando por um ano inteiro para um espetáculo e depois sair numa turnê pelo mundo por três anos fazendo de oito a dez shows por semana! Quanta estrutura emocional não é preciso para ficar longe da família e atingir a perfeição todas as noites?!
Após assistir “Fire Within” posso dizer que não é à toa que o Cirque du Soleil é o maior circo do mundo. (atentem para um detalhe, ele é o maior circo do mundo apelando apenas para seres humanos, acrobacias e contorcionismos de deixar qualquer um de queixo caído, não usam um único animal em qualquer espetáculo, será que é preciso mesmo maltratar os animais para levar alegria para os circos???)
Grandiosidade e exigência sem limites, decepção, treino. São todas palavras que me vêm à mente agora quando penso no Cirque. Como disse o diretor de Varekai para seu casting antes da noite de estréia: “Três palavras vão fazer este espetáculo: emoção, emoção e emoção”.
E é isso que eu senti assistindo a “Fire Within”, emoção, emoção e emoção. Agora, até penso em desembolsar uns R$ 300,00 para assistir a algum espetáculo do Cirque du Soleil. Não é à toa que Guy Laliberté está rico, além de acompanhar de perto cada número de cada show, sabe que a majestade de seu circo faz jus a tíquetes deste valor, oras bolas!
…
Update: Varekai vem de um dialeto cigano e significa “onde quer que seja”. Que tal uma tatuagem?! Obrigada, Rodrigo, bem lembrado!
é mesmo, eles naum usam animais…
deviam servir como exemplo pros outros.
Não sei se chega a mencionar no doc. (ou se eu estava demasiadamente concentrado pra reparar), mas a origem da palavra Varekai é romena (Cigana) e quer dizer algo mais ou menos como ‘Onde quer que seja’. Bonito, não?
Um comentário a parte. Sabe, as pessoas podiam ter um pouco mais de criatividade na hora de sair tatuando frases e dizeres pelo corpo. Eu já devo ter visto mais de 10 ‘Carpe Diem’s dos mais diversos tipos por aí, e vcs?
Ta ai a dica, mande um VAREKAI no meio das costas, ou no antebraço (como virou moda hj). Eu acharia mais bonitinho.
Sabe que da janela da minha sacada eu vejo a tenda do Cirque du Soleil, do Villa Lobos? Dá bem uma vontade de ir lá dar uma espiada, viu?
Beijo.
Deu vontade de assistir também!
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Beijo
É um mundo maravilhoso, simplesmente maravilhoso. Pude conferir tudo isso bem de perto. Emocionante. Os R$ 150,00, o valor que eu gastei, foram bem investidos.