Boas lembranças

2008 Fevereiro 1
by Bárbara Paludeti
Stickadinho

Sabe aquelas coisas que nos fazem ter lembranças de coisas muito gostosas? O Stikadinho aí ao lado é uma dessas coisas. Um cheirinho de limpeza que te lembra quando você morava com a mamãe. Um doce que só a sua avó sabe fazer igual. Uma música que lembra o primeiro namorado. Um lugar que te traz recordações inesquecíveis da juventude.

Pois é, assim é o Stikadinho comigo. Me faz lembrar do meu avô Toninho. E lembrei dele porque comi o tal chocolatinho ontem depois do almoço. Ah, o meu avô. Ele morreu há uns 5 anos mais ou menos, não sei ao certo, não fico guardando aniversário de morte de ninguém. Ele é o pai do meu pai e era um avô muito comédia. Perdeu a esposa, minha avó, e ficou viúvo por uns 17 anos. Ele era engraçado, teve várias namoradas nesse período. Muito saudável, andava pra lá e pra cá de trem. Empreendedor ao extremo, tudo ele transformava em um “negócio”. Folhas velhas viravam bloquinhos. Tudo ele conseguia transformar em alguma coisa rentável, que colocava lá na garagem da casa dele pra vender. Ahahahah, era sensacional. Ele era o avô bugiganga. E foi o único avô com quem tive contato, o outro, pai da minha mãe, morreu muito jovem, quando a minha mãe tinha 7 anos!

O vô Antônio era uma figura ímpar. Teve que aprender a se virar depois da viuvez. Ele era diabético. Mas cozinhava um montão de coisas. Lavava a própria roupa. Teve que terminar de criar o filho caçula, meu tio, sozinho! Mas nada o deixava de mau humor. O velho nunca ficava parado. Era um espoleta. E, comprava tudo quanto é tipo de “iguaria” no trem pra mim e pro meu irmão.

Os presentes variavam de folha de fichário pra eu estudar a amendoim salgado pra gente se empanturrar. Ir visitar o vô Antônio era uma delícia e sabem por quê? Porque ele sempre tinha balas pra nós e o bendito Stikadinho que comprava no trem. E, sim, ele comprava pros netos, era o gesto de carinho mais inocente que ele tinha para com nós dois. Os presentes em datas como aniversário e Natal nem importavam tanto. O legal eram as balas e os Stikadinhos comprados no trem especialmente para quando nós fôssemos lá na casa dele!

Todos vivem repetindo pra mim que seria muito mimada pela mãe do meu pai, que teve três filhos homens, mas a minha vó faleceu de câncer menos de um ano depois de eu nascer. Talvez ela tivesse feito mesmo muitas macarronadas italianas pra mim, me comprado inúmeros presentes, me mimado pra caramba mesmo. Mas tenho certeza que ela deixou um correspondente à altura, o marido, meu avô Toninho, que, embora não muito acostumado com essas coisas de sentimentos, demonstrava um carinho singelo mas enorme por mim e pelo meu irmão com suas balas e Stikadinhos! É uma das lembranças mais doces que tenho da infância.

Vô Antônio, esteja aonde estiver, quero que saiba de tudo isso que eu acabei de escrever. A lembrança que eu tenho de você tem um gosto de chocolate com morango, e é uma delícia, oras bolas!

3 Respostas leave one →
  1. 2008 Fevereiro 1

    Poxa, Bárbara, que texto bonito…Você descreveu seu avô de uma maneira tão apaixonante que até eu, que nem parente sou, gostaria de conhecê-lo. Também guardo muito carinho pelo meu avô paterno, um sujeito que me “criou” quando eu era pequeno (meus pais trabalhavam o dia todo e eu ficava com ele) e sempre fez de tudo por mim. Sinto saudades demais dele e, muitas vezes, até me culpo por não visitá-lo muito. Hoje, ele está um tanto doente.

    E o que ele me comprava de doces, hein…era de bolacha recheada a chiclete na vendinha da esquina…sensacional…Parabéns pelo tema abordado!

  2. 2008 Fevereiro 8

    Fiquei até com os olhos marejados com sua história. Que bonito! Família é mesmo uma das melhores coisas que existem!
    Beijo

  3. 2008 Fevereiro 21
    Felipe permalink

    Meu avô era o melhor!!!e a minha irmã não exagerou no texto, ele era realmente assim.
    Um abraço pra ele onde quer q esteja!!

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