Burocracias e esperteza
No dia 06/12/2007 a minha carteira nacional de habilitação venceu. Até aí, tudo bem, ela é válida por mais 30 dias após o vencimento. Quando chegou o dia 06/01/2008 lembrei da bichinha, até aí, tudo bem, era só ir até o Poupatempo com a documentação, pagar a taxa e em 2 horas ela já estaria renovadinha.
Até aí, tudo mal! Que saco :-s. Quando tirei carta morava em Santo André, minha CNH é de lá, mas, agora, eu moro em São Bernardo, não posso simplesmente ir ao Poupatempo e renová-la. Tenho que transferi-la de município e isso o Poupatempo não faz! É feito no Ciretran municipal. Ahhhhhhhhhhhh… detesto órgãos públicos.
Após três dias consecutivos tentando falar com alguém no bendito Ciretran de SBC, a mina que me atendeu disse que não pode passar a lista da documentação e o procedimento que tenho que tomar pelo telefone! É mole? Tive que ir até lá hoje pela manhã para saber como proceder. E é óbvio que antes de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eu tenho que pagar uma taxa (sempre elas!). Só com o comprovante de pagamento na mão posso marcar o exame médico e dar entrada na transferência/renovação de CNH.
Como é complicado depender desses serviços geridos pelo Estado! Ficamos totalmente rendidos. Bom, espero que corra tudo bem nesse meu “processo” no Ciretran. E toda essa história de burocracia me fez lembrar de uma outra questão: o bendito jeitinho brasileiro.
As burocracias são corretamente chamadas de “burrocracias” por alguns, é preciso ter muita, muita paciência quando se é mandado de um lugar a outro, de um andar a outro, de uma repartição a outra sem que ninguém resolva nada. Mas atentem-se ao detalhe, a gente tem que passar por isso e exercer o nosso direito de consumidor: reclamar, reclamar, reclamar, recorrer a auditorias, Procons e tribunais de pequenas causas. Não devemos tentar dar um jeitinho brasileiro.
Molhar a mão do guarda, molhar a mão do funcionário público, molhar a mão do juiz e sair pagando propina pra Deus e o mundo pra acelerar as coisas pro seu lado. Sou contra, contra, contra! Se fiz cagada no trânsito, me multe. Devo pagar por isso. Se o processo demora por conta de uma longa fila de espera, devo esperar. Se a renovação da minha CNH é burocrática mesmo, devo fazê-la assim.
Os espertinhos são uma raça que me enojam. Os espertinhos do trânsito, os espertinhos das carteirinhas de estudante falsificadas, os espertinhos do trabalho, os espertinhos da escola, enfim, os espertinhos da vida. Tanto, tanto reclamam das “espertezas” dos políticos, mas praticam o mesmo conceito, talvez em menor escala, mas é a mesma coisa! Que tal parar pra pensar que se o cinema está tão caro a culpa seja das carteirinhas falsificadas que são facilmente conseguidas? Ou é por conta do preço abusivo do cinema que as carteirinhas falsificadas proliferaram? (é a velha história da Tostines).
O jeitinho brasileiro não é cultural porra nenhuma.
…
Ei, final feliz para a história do Submarino, eles realizaram com sucesso o estorno na fatura do meu cartão de crédito. Um cara do Relacionamento até ligou em casa pra falar comigo sobre isso, mas eu não estava. Esse contato foi conseguido através do e-mail capitao@submarino.com.br. Anotem!
…
Estou lendo o livro “O lobo da estepe”, caracas, a parte que li ontem é sensacional, fala sobre os várias “eus” que temos dentro de nós. Quando terminar, conto mais, oras bolas!
Os espertinhos são uma raça SUPIMPA.
Herman Hesse era o cara e não era SUPIMPA!
Me empresta este daí também! Quem sabe não retiro o preconceito que tenho contra Herman Hesse?