Já pensou sobre a eutanásia?

2007 Dezembro 14
by Bárbara Paludeti

*SPOILER: Atenção, se você não assistiu ao filme “Menina de Ouro”, não continue lendo esse texto, pode conter informações importantes e reveladoras sobre a película.*

Essa semana assisti ao filme “Menina de Ouro”, sobre o qual já havia ouvido muito falar que era ótimo! Conferi, afinal, ia passar no “Grobo” mesmo, no lugar do santo futebol de quarta-feira, que, enfim, acabou… os dois principais temas do filme são boxe e eutanásia.

E eu, como espírita, tenho uma posição muito sólida em relação a eutanásia: absolutamente contra, em quaisquer situações. Mas o desenrolar do filme me deixou pensativa, deve doer, doer demais da conta vermos uma pessoa que amamos totalmente incapacitada, dependente em tudo de aparelhos, enfermeiros e médicos e não podermos fazer nada. Aí é que está o ponto: eu acho que não podemos e devemos fazer nada.

Há quem ache e diga que podemos abreviar o sofrimento de um ente querido por nossa própria conta e risco, dando uma injeção, veneno ou desligando aparelhos. Dá vontade? Claro que dá. Mas a meu ver e na minha crença, a espiritualidade está agindo naquele corpo paraplégico e incapacitado, por mais que não pareça, ali há vida.

No Encontro Regional de Mocidades Espíritas do ABC de outubro de 2007 um dos temas tratados foi justamente a deliberação pela vida alheia, discutimos com os jovens a eutanásia e a pena de morte. A espiritualidade age nas situações mais incompreensíveis possíveis.

Mas que me emocionou e me fez derrubar lágrimas a situação de Maggie Fitzgerald (Hilary Swank) e a coragem (ou seria fraqueza?!) de Frankie Dunn (Clint Eastwood), ah isso fez. Apesar de toda a minha crença de que a espiritualidade e Deus agem corretamente, confesso que seria muito difícil ouvir de alguém muito querido que quer morrer e eu sou a única pessoa que pode ajudar.

Menina de Ouro

Cada um tem suas provas e expiações, cabe a nós passarmos por elas da melhor forma possível. E o que me conforta é acreditar que nada acontece por acaso, oras bolas!

Uma resposta leave one →
  1. 2007 Dezembro 19

    É, dona Bárbara….eu, como simpatizante da corrente espírita também, rechaço a eutanásia, quando analisada sob tal ótica. No entanto, confesso que – e isso é um defeito – tendo sempre a analisar as situações pelo lado mais prático -ou “cômodo”. Na situação do filme, era muito claro o sofrimento da boxeadora e, se ela continuasse vivendo, provavelmente definharia até o resto de seus dias. A própria natureza, claro, daria cabo daquele corpo sofredor. A “questã” é que os espíritas encarariam isso (dor) como um fluxo natural e parte do processo de evolução. Mas, como você mesma frisou, é horripilante me colocar no lugar do amigo, daquele que ama, considera…Êta escolha difícil!! Não tenho uma opinião formada sobre isso e, tomara a Deus, não tenha de estar na pele de nenhum dos dois alguma vez…

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