Até aonde deve ir a busca por um furo?

2007 Julho 27
by Bárbara Paludeti

Para estrear este espaço, nada melhor do que discorrer sobre um assunto da minha área. Esta semana, na terça-feira (24), dois jornalistas britânicos foram presos depois de tentar colocar uma falsa bomba em uma estação do metrô de Londres. Ambos eram repórteres do jornal “The Daily Mirror”, que disse que o episódio foi uma tentativa de repetir o que o jornal já havia feito em 2006, quando jornalistas conseguiram plantar uma bomba falsa em um trem nuclear, o que, segundo ele, revelou graves falhas de segurança.

“Sentimos, portanto, que seria um exercício de jornalismo legítimo e justificado repetir a ação no interesse da segurança pública”, acrescentou. “Estamos contentes de ver que os procedimentos de segurança foram agora melhorados”, terminou o porta-voz do jornal.

Diante do fato, eu, como jornalista, me pergunto, a ação proposta pelo jornal é realmente legítima? Na minha humilde opinião, não. Primeiro, tudo é ilegal, a invasão, a bomba, a ação, segundo, e a ética tão pregada pela profissão, onde fica? Não fica.

Plantar uma bomba não é a melhor maneira de conseguir um furo. O jornalismo trabalha em cima de fatos sim, sem dúvida, mas não somos nós que temos que criar esses fatos, nosso papel é apenas relatá-los. Cabe aqui também outra discussão, a busca insaciável da mídia pelo furo, pela notícia, o que acaba gerando inúmeras barrigas (leia ‘notícias falsas’) e até mesmo situações inusitadas, como essa de Londres.

Manchetes exageradas, equivocadas, erros, duplo sentido, tudo isso é muito comum hoje em dia. Refiro-me mesmo ao Brasil, e, principalmente, à minha área, que é a Internet. É muito engraçado quando converso com alguém ‘normal’, digo não jornalista, e as pessoas acreditam piamente no que está escrito na “Veja”, na “Folha de S.Paulo” ou no “Terra”.

Será que não há senso crítico por parte da população para entender que os jornalistas são insaciáveis, ávidos por tragédias, sangue e celebridades para terem lucros? Será que eles não imaginam que por trás de uma matéria do “Estadão” ou da “Veja” há uma pessoa, tão normal quanto ela, que está passível a erros?

Para quem é jornalista, pense a respeito da ética, de até onde devemos ir para conseguir uma ótima notícia ou um belo furo sensacionalista. Para quem é leitor, leia com olhos críticos, não deixe de questionar e criticar quando ache que algo está errado.

No mais, sem palavras, oras bolas!

2 Respostas leave one →
  1. 2007 Julho 30

    Sem querer “puxar o seu saco”, Bárbara, concordo em gênero, número e grau. A nós, jornalistas, cabe o papel de “relatores da realidade”, que já é consideravelmente importante para nos preocuparmos em “plantar notícias”, que de nada acrescentam positivamente. Por trás da ação dos jornalistas britânicos, está o visível interesse em causar alvoroço e sensacionalismo a todo custo. Seria até “bonitinha” a resposta do jornal, que justificou o seu erro alegando querer apontar falhas de segurança. No entanto, duvido que o moralismo reinaria se a ação dos profissionais tivesse dado “certo”. Realmente um desserviço.

  2. 2007 Agosto 14

    Oi Baby,
    Adorei o texto expansão de horizontes… muito bom. Concordo plenamente com você, até porque particularmente adoro mudanças e experimentar o novo. Foi muito bom ler o seu texto… acho que você sabe porquê. Beijos

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