Que o massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, rende muitos cliques e arrebenta a audiência de portais e telejornais, não há como negar. Agora, volta-se aquela velha discussão, até que ponto estamos em um vale-tudo jornalisticamente falando?
Rasgam-se os manuais de redação e perde-se o bom senso quando são mostradas fotos das crianças mortas, do atirador ensanguentado na escada e os vídeos em que o cidadão argumenta e justifica o massacre.
O que se sabe de jornalismo é que não deve se mostrar carta de suicida, já que isso instiga outros ponteciais que estão assistindo tudo pela TV.
Lembram do 11 de Setembro? Certamente tudo o que a imprensa noticiou inspirou diversos outros terroristas a cometerem atentados semelhantes.
Será que isso é um desserviço à sociedade? Para ser jornalista de hard news, há que ter estômago forte, aguentar trancos e barrancos em uma cobertura como essa.
Há quem nos chame de carniceiros. Nós nos defendemos dizendo que somos responsáveis por divulgar informação a quem quer tê-la. Daí entram a liberdade de expressão e o livre-arbítrio.
Acho que depois de alguns anos de jornalismo de hard news ficamos viciados em “dar primeiro”, “não perder o link”, “sermos mais rápidos que a concorrência”. Corre-se o risco de perder o internauta (e o bom senso).
Diariamente somos bombardeados com críticas quanto à nossa política editorial. A ética do jornalista é posta à prova continuamente.
Você pode ser dissuadido quando menos esperar, oras bolas.
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